O consumo de pescados tem aumentado nos últimos anos em nosso país, e na capital federal não é diferente, o brasiliense tem consumido cerca de 14kg por habitante, enquanto a média nacional é de 9kg, segundo a Emater-DF. Em busca de atender este público, a Secretaria de Agricultura do DF, desenvolve diversas ações para o fomento da piscicultura no DF e RIDE. Com foco nos pequenos produtores e produtores familiares, destacam-se a produção e comercialização de alevinos com alta qualidade genética a preço subsidiado; treinamentos e capacitação em piscicultura além de incentivo à pesquisa e difusão de tecnologias.

Quem coordena o trabalho é o Médico Veterinário Ângelo Augusto Procópio Costa, ele é o Gerente de Tecnologia Agropecuária da Granja Modelo do Ipê. Ele trabalha junto a sua equipe, a Médica Veterinária, Cláudia Alessandra Gomes e os Zootecnistas, Lincoln Nunes Oliveira e Joaquim Fernando Nunes Araújo. Ele explica que o Centro de Piscicultura seria uma alternativa ao produtor da região, em meados dos anos 2000, aproximadamente, para produção de alimentos para os moradores da região. 

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Segundo Ângelo, hoje a granja trabalha com incentivo da piscicultura, produção de alevinos e capacitação do produtor. “No caso dos alevinos, nós trabalhamos com uma linhagem melhorada geneticamente de tilápia chamada “GIFT” (Genetic Improvement of Farmed Tilapia)” Em tradução livre significa “Melhoria Genética de Tilápias Cultivadas”. O Médico Veterinário explica que, inicialmente o trabalho melhoramento genético da espécie foi realizado por um grupo de empresários da Malásia, que queria tornar este peixe uma base para desenvolvimento social naquela região, com fim social, desde a década de 90. Depois uma empresa norueguesa adquiriu a patente desta família de tilápia e atualmente temos no Brasil a Universidade Federal de Maringá-PR, que faz este trabalho de melhoramento genético e tem convênio com a SEAGRI-DF.

Na granja não é feito o trabalho de melhoramento genético da tilápia, mas trabalha em parceria em estudos e pesquisas.

A unidade tem convênios diversos, relata Ângelo: “Já tivemos experimentos para uma tese de doutorado do Canadá, uma outra da Universidade Católica do Chile, várias teses de mestrado e doutorado da UnB e na UFMG. Mas não para por aí, o trabalho também é realizado com o desenvolvimento de tecnologia, como SEBRAE, SENAC, SENAR, entre outros”. Explica o coordenador.

O Centro de Piscicultura do DF trabalha hoje no desenvolvimento de pacotes tecnológicos de criação, sistemas de criação voltados para a nossa região e agora estão desenvolvendo alguns sistemas de recirculação de água, devido a característica da nossa região, além do trabalho de nutrição dos peixes.

Mercado de Brasília

Cerca de 80% do pescado consumido na capital federal é importado de outros estados ou de outros países, enquanto a produção local gira em torno de 1500 tonelada.

Para incentivar o produtor local, os alevinos são reproduzidos e vendidos pela Granja do Ipê a preço abaixo do mercado a produtores da região. Hoje um milheiro da tilápia Gift custa R$ 40,00.

Formação de produtores

O Centro de Piscicultura da Granja do Ipê desenvolve vários cursos, em média de 12 por ano, não só para animais para consumo, mas também espécies ornamentais, como carpas. Os cursos variam e de modo geral são voltados para a reprodução de peixes nativos, como o surubim, matrixã, piáu, curimatã.

Em 2019 foram capacitados 272 pessoas em 11 cursos. Já o atendimento aos produtores foram de 122 produtores que receberam 222.250 alevinos.

Próximos cursos

Ainda este mês haverá mais um curso, nos dias 26 e 27 de novembro, sobre “Produção e Reprodução de Lambari” e o último de 2019 será no próximo mês, de 10 a 11 de dezembro sobre, “Reprodução de Apicultura e Alevinagem de Peixes Nativos.” Aos interessados em participar da formação deve observar a agenda para 2020 que estará disponível no mês de dezembro, no site da Secretaria de Agricultura do DF e os interessados deverão entrar em contato diretamente com a Granja do Ipê pelos telefones 3380-3112 /3380-3559 ou por e-mail Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

O curso é aberto ao público geral, produtores, curiosos, empresários, estudantes, médicos veterinários, engenheiros de pesca. Muitos têm xácara e buscam produzir em suas propriedades.

Assessoria de Comunicação Social do CRMV-DF, com informações da Seagri-DF e do Anuário 2019 da Peixes BR.

20 de novembro de 2019